Vírus Mayaro e o Aedes Aegypti

  • Categoria: Saúde
  • 785 Visualizações

Após a dengue, descobriu-se que o Aedes Aegypti, espécie de mosquito transmissor da doença, pode transmitir ainda o vírus da zika e o do chikungunya. Mas o que vem preocupando a todos os cientistas e epidemiologistas ao redor do mundo, é uma possível nova epidemia de outro vírus transmitido pelo mosquito, o vírus mayaro.

Com características bastante similares às da chikungunya, um caso de febre hemorrágica foi descoberto em um menino de oito anos, morador da zona rural do Haiti. Com isso, pesquisadores da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, afirmaram ter encontrado um caso inédito da doença transmitida pelo vírus Mayaro.

O vírus não é totalmente desconhecido, uma vez que foi detectado pela primeira vez em Trinidad e Tobago no ano de 1954, mas até agora somente havia conhecimento a respeito de surtos isolados na selva amazônica, além de outras partes da América do Sul, como na Venezuela e no Brasil. O grande problema, entretanto, é que o vírus pode ter apresentado adaptações já que, antes, era transmitido apenas por mosquitos vetores silvestres, e agora, ao que tudo indica, também é transmitido por mosquitos vetores urbanos que estão espalhados ao redor do mundo, como o próprio Aedes Aegypti,e também o Aedes Albopictus. Essa informação ainda será confirmada, mas se isso realmente for fato, devemos nos preocupar, já que o mosquito Aedes está fortemente presente no Brasil.

Segundo especialistas, esse caso pode ser um forte indicativo de que o vírus começou a se espalhar, começando a circular na região do Caribe. Segundo John Lednicky, que é líder da equipe da universidade que está responsável por esse estudo, “Os sintomas são muito similares aos da chikungunya. Por isso, quando o paciente vai ao médico, pensam se tratar dessa doença e não sabem que é Mayaro”. Ele ainda declarou que não existem sintomas que podem ser usados para distinguir a febre Mayaro do chikungunya, uma vez que ambas provocam dores nas articulações, febre e erupções na pele, e em ambos casos os efeitos são mais prolongados do que nos pacientes que apresentam quadros de zika e dengue, podendo durar entre seis meses e um ano. Lednicky declarou ainda que “O que está acontecendo é que estamos nos deparando com pacientes que se queixam de erupções na pele e dores musculares prolongadas, mas os exames dão negativo para zika e chikungunya. Então, o que afinal eles têm?”.

Até o momento, não há vacina e sequer há tratamento específico para a febre do Mayaro, de forma que o tratamento visa, basicamente, aliviar os sintomas. Isso tem se mostrado eficaz, apresentando evolução bastante favorável de uma forma geral. No Brasil, já foram confirmados entre dezembro de 2014 e junho de 2015, 197 casos de febre do Mayaro nas regiões Norte e Centro-Oeste, tendo como destaque os estados do Tocantins, Pará e Goiás. Nesses casos, entretanto, todas as pessoas haviam estado ou moravam em área rural, silvestre ou mata. Até fevereiro de 2016, em Goiás, foram registrados 66 casos, e apesar do número significativo, no Brasil os casos da doença ficaram limitados somente às regiões de mata, não havendo, até o momento, casos de transmissão urbana.

As medidas de proteção contra a febre do Mayaro são as mesmas medidas que conhecemos, já tão comentadas para combater os mosquitos transmissores da dengue. A tarefa, em um país tropical onde a chuva e o calor são abundantes, é praticamente impossível, portanto evitar as picadas é essencial. Colocar telas nas janelas, mosquiteiros em camas e berços, além de usar repelentes para os mosquitos transmissores são excelentes meios de efetivar essa tarefa.

Assuntos Similares

Comentários: